sábado, 21 de maio de 2011
PALAVRAS
BARROS, Manoel de. Ensaios Fotográfricos. Rio de Janeiro: Recordo, 2007.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Leituras indicadas
O nosso convite é para que vocês trans-vejam a imagem fotografada por cada um e revelem o olhar poético para o desabrochar de poemas repletos de poesia!
A minha indicação de leitura é "Com olhos de ver: poesia e fotografia em Manoel de Barros", onde Antonio Francisco de Andrade Jr. identifica diferentes modos de relação entre poesia e visualidade.
Você pode acessá-lo em www.uff.br/cadernosdeletrasuff/30-31/artigo4.pdf
sábado, 7 de maio de 2011
GOMES, Flávia C. À Rebours. jan, 2009.
Haicai produzido a partir da foto "À rebours":
Liberta do olhar,
rio como gato de Alice:
virando lua-estrela
Flávia C. Gomes
Poema:
Queria ter a sensibilidade pra falar das borboletas
Borboletear minha vida, dizendo-a em vôo tênue, incerto.
Mas não a borboleteio, nem lagarteio.
Se sou uma das partes dessa corrente, sem dúvida é a que lhe parte,
trucida,
esbofeteia as duas faces,e roubalhes a unidade.
Não sou inteira, nem íntegra
parto eterno
me parto, reparto e nasço.
Me-ta-mor-fo-sei-o:
minto-me.
Flávia C. Gomes
GOMES, Flávia C. Livro dos Mortos. nov.2008.
Haicai produzido a partir da foto "Livro dos Mortos"
Caíram as folhas...
E foi tão profunda a ausência,
não mais floresci.
Flávia C. Gomes
Poema a partir da foto "Livro dos Mortos"
Natimorta.
Piso cimento novo
de vias desconhecidas.
No ar engasgo:
gastos pedidos de novidades.
Mas tudo que me sobrevém
são correntes das correspondências,
na tentativa de deglutir o outro
e devolvê-lo com o que me é suposto.
Eu enterrei meus mortos,
os murmúrios permanecem...
Não apenas nas fotografias,
como nos trejeitos do que não sei.
E meu andar se refaz
(nefasto e composto)...
dos que viajam pelo meu sangue,
das propagandas em minha carne,
dos discursos que em mim ecoam,
e de tantas poeiras de ontem...
Antes os murmúrios, agora gritos
a transformar toda via desconhecida
em mero recomeço para os meus mesmos passos,
de mim ausentes.
E toda alegria, em esperança natimorta...
por saber-me esse gosto, já decomposto,
entre paredes do que não sonhei.
Flávia C. Gomes