domingo, 29 de maio de 2011

Todas


Quiero quedarme en todas as tuas coisasen todos os teus perfumesen todas as lunas tuyasen todas las tuas almas para quecuando te vistas de outras vidaseu possa te sentir uma vez mais...

sábado, 21 de maio de 2011

Existes

Existes en las palabras que no sabemos,
en el silêncio que nos fala en el almaen las bordas de nuestro cetin pálidoque nos cobre el cuerpo mientras te beso las costas
Existes en los minutos que no son contados
en todos los momentos que quedamos juntos
de frente a las flores que te dei
bajo el cielo azul de todo día
Existes en el aire que no se respira
en las histórias contadas hora en hora
en todos los bailes de eterna folia
en mi corazón que pulsa cá adentro,
casi afuera...
Existes en las fugas mal sucedidas
en la lluvia que a la tierra assola
en mis labios rotos compartidos
con tus labios rojos de sangre fria
Existes en las músicas que no oímos
en las delicias de una isla deserta - morta
en la palma de la mano que una gitana mira
en una mirada que nadie olha
Existes porque quieres existir
cá dentro de mi cuando mi pecho chora
existes en todos os lugares
pero me gusta más cuando te quedas conmigo sola
Porque existes como un deus griego
con tus guerras ilíadas de derrotas y vitórias
Existes por todo mi cuerpo
existes por toda mi memória
existes en la linguagem que no aprendemos
y en el emudecimento que nuestra palabra corta.
Existes en las palabras que no sabemos,
en el silêncio que nos fala en el alma.

Letícia Conde

CONDE, Leticia Faria. Pés. maio, 2011.

Haicai produzido a partir da foto "Pés":

Pés e pás opacas,
Pego passageiramente...
Parcos passos pagos.

Abel Vaughan.

Terra...

Foto feita por: Letícia Conde
Tirada de: USP - Campus I/São Carlos

Quando era pequena ateei as mãos à terra
e dentro dela construí meu sepulcro
ao mesmo tempo fui ficando mais velha
era como se eu fora todo o peso do mundo
numa contradição terminei meu calvário
e fui me tornando ainda mais pura
mais jovem e inocente
voltando ao estado de criança imatura
que saúda as plantas como num gesto pleno
de afeição e doçura...
quando eu era pequena
ateei as mãos à terra e cedi a ela toda minha fortuna
mas a mãe sábia que era
me devolveu a vida futura
vindouras sombras que havia de colher
formosos pastos que havia de deitar
calmas matas que havia de conhecer
selvagens forças que havia de dominar
e cresci com as mãos sujas
fartas de terra que nunca hei de esquecer
me espera aberta com meu sepulcro
que um dia eu haverei de preencher
quando eu era pequena dei as mãos para a terra
e ela tenra sempre está a me acompanhar
eu também fiz dela velha uma criança
ao ver nela meu próprio nascer e sacrificar.

Letícia Conde

*Baseado em poema de Manoel de Barros

Ouvidos do Vento

Foto feita por: Letícia Conde
Tirada de: USP - Campus I/São Carlos

Certa vez toquei os ouvidos do vento
e ele gemeu alto como cão esfomeado
suas orelhas eram imensas
e delicadas feito cristais
como estalactites que são moldadas pelo tempo
ressoava o meu roçar de dedos em todas as direções
pedi desculpas àquele elemento
e disse que meu lamento era só de não poder falar-lhe
de minhas alucinações sonoras
como quando o ouvia dentro de meus tímpanos
através dos moinhos que ele fazia
através das folhas que ele cortava
naquele zumbido fino de constrangimento
de quem passa e devasta uma vida
ou traz bonança aos sem sustento
carregando chuva e água fria~
eu somente sentia o acariciar daquele rebento
e ele me disse que me ouvia
sem que eu precisasse tocar os seus ouvidos
porque eram por si só ventosos
passíveis de serem escutados a qualquer momento
aqueles meus devaneios intrínsecos
ainda me lembro da vez em que toquei o olvido do vento...

Letícia Conde

*Baseado em poema de Manoel de Barros

Mar

Certa vez eu vi os olhos do mar
e ele sério me olhou a mim
então numa risada larga me fez correr pela orla
eram suas ondas seus dentes de marfim
brancos e calvos pensares
aquele ser me olhava manso
agora que a chuva adentrara
nossa conversa se tornara orvalhada
era manhã pelo que bem me lembro
e aquele sereno era quase como oração
ainda lembro do mar calmo comido e cheio
satisfeito com a refeição limpar dos dentes os vãos
fazia da areia paliteiro
ao depositar as conchas em sua extensão
ainda lembro
fechou os olhos e me falou certeiro
cuidado com os homens
eles desaprenderam a nadar
desaprenderam a andar
desaprenderam a correr
desaprenderam a voar
desaprenderam a ser gente
o homem não é mais homem
faz seca e jura que sertão vai virar mar
mas o homem não sabe ser humano
e o ser humano está cada vez mais a se afogar...
e de sua garganta cuspiu um ou dois corpos
eram egos inflados que pouco antes já estavam boiando
não eram carnes propriamente dizendo
mas as almas daqueles que se diziam soberanos
reis de fortunas e professores de conhecimentos
como era triste toda essa gente
ainda lembro do mar rindo
e me emprestando umas gotas de sua saliva
para que eu pudesse ir embora a chorar.

Letícia Conde

*Baseado em poema de Manoel de Barros.

Segredos

Foto feita por: Fabiano Kiyomura
Tirada de: Letícia Conde

O homem livre de amarras
é um homem livre para viver a vida sem ter medo de errar,
pois ele já saberá com antecedência que acontecerão erros
e assim não precisará ter vergonha quando cometê-los,
pois não mais terá vergonha de si mesmo.

Letícia Conde

Já publicada pela CBJE:
http://www.camarabrasileira.com/ouro10-002.htm

Rendas Enraizadas

Foto feita por: Letícia Conde
Tirada de: USP - Campus I/São Carlos

Em meu ribeirão rolam pedras
Que joguei quando pequeno
Porque tudo o que tenho foi o que plantei
E deixei que criassem rendas

Fazendo do amor nascente de raiz profunda
Como foz d'água a brotar carinho
No desalinho de não ter margens
E desembocar num rio vizinho

Formando um mar ao encontrar com outros
E imaginando um oceano ao sentir presenças
Em delta como quem pensa
Em escolher o destino que melhor se apresenta

Mas o resultado é único:
Meu ribeirão acalma e adentra
Em teu mar profundo
Como quem procura chão para enraizar suas rendas.

Letícia Conde

Já publicado pela CBJE:
http://www.camarabrasileira.com/apol59-082.htm

Sonhos de Areia

Se em uma onda meus reis fossem de areia
Desfaleceriam meus sonhos através do tempo
Morrer-se-iam as gotas que deixaram marcas
Pelo caminho que um dia tracei...

Se em dunas meu corpo desenhassem
E com magias o revivessem
Eu seria como princesa n'água
A transbordar a imagem que vejo...

E no reflexo do convalescido desejo
Que um dia fora doente
Emerge a vontade louca
De imergir no oceano imenso...

Mas se em dunas meus reis fossem magos
E andassem ao meu alcance
Não encontrariam face
Posto que a deixei na onda que carregou meus prantos.

Letícia Conde

Já publicada pela CBJE:
http://www.camarabrasileira.com/apol58-023.htm

Estou a Amar!

Foto feita por: Fabiano Kiyomura
Tirada de: Letícia Conde

Como faz-me falta
O cheiro pálido de teu ser...
Como é ausente a presença de tuas partes...
Meu peito enche-se mais a cada vez
Que a tua mão deixa a minha vazia
A percorrer o corpo limitado da memória lúcida
De teus toques, beijos, abraços, degustações...
Sem teus dedos meu tato inexiste,
Meus ouvidos são assombrados por teus gemidos...
Ah! Como tudo parece-me loucura!
Eu menti. Sei muito bem por que permaneço:
Porque te...
Respiro, sinto, quero, gosto, adoro, venero
Mas sem exagero ou exceção
Só o suficiente para ficar febril e constatar
e admitir e gritar...:

É Amor! É Amor!
- Meu Amor, estou a te amar!...

Letícia Conde

Já publicada pela CBJE:
http://www.camarabrasileira.com/bpa10-014.htm

Vulva

Só uma folha é o que vejo
Angular formato, solta, me toma os olhos
Quebrada em fragmentos ao que percebo
Porque minha percepção é sempre alterada

Toco-lhas coxas, estremecem em gracejo
Uma folha solta, ainda arde, presa ao meio
Assoprar leve bóia o ar
Arrepio de pele – arrepiam-se as águas do mar

Afundo o dedo – escondo-a para dentro de si
São pelos desejos que nos pelados pêlos encobrem
Um lago para morrer afogado – mato-a lá:
A sede de ti...

A folha que esconde teu corpo inteiro
Todo o ver por fluir
Feito folha leve ao vento
Que se vai pelo mar – que se tem que ir

Letícia Conde

Cavalos d'Água

Solto meu corpo por sobre o teu
E deixo que tuas ondas sejam cavalos d’água
Molhados em meu amor forasteiro
De quem chega e se vai no tempo de uma morada

E cavalgo nos braços teus, quadris, mãos, a pêlo
Sem estribas por onde me apoiar
Para que ao final eu caia na tentação que é ser tua inteira
Nos campos alvos de tua estrada

Descanso em teus ombros, és unicórnio d’asas
Me leva para longe sem que me lembres de nada
Quero perder-me das fontes que me fizeram envelhecida
Porque minh’alma sangra o peso de uma vida

E pairando por sob teu céu de bálsamo pego-me ilhada
Na profunda sapiência das causas loucas
Corremos pelas brumas de nossas falas condensadas
Morrendo-me dentro de tua garganta arriando a voz que o peito afrouxa.

Letícia Conde

Já publicada pela CBJE:
http://www.camarabrasileira.com/apol74-094.htm

SILVA. José Carlos Marcolino. 17 mai 2011. Folhas.




INVERNO


Folhas caem
Folhas secam
Folhas rolam
É a força do vento
É inverno!

Frio intenso
Pessoas descobertas
Vidas incertas
É o inverno
Pior que o inferno
Sereno e cortante
É o vento


Marcolino
Seminário Diocesano
São Carlos
Cidade do Clima
1990

A., L.C.

- Poema feito com base na casa de Pablo Neruda para Matilde -

Quero voltar para a minha La Chascona
Onde posso viver em mar e afogar minh'alma nas águas que eu queira...
Três anos no ar, está na hora de sentir as ondas novamente...
Quero ouvir pulsar o pulso e quebrar-me em tuas rochas

Meu tesouro ínfimo de jóias usurpadas – cai em mim feito colar d’ouro
Enfeita minhas ancas com teus dedos de coral – resguarda meu barco
Afunda meu pranto de ser mortal – quero ser tua longe daqui
Como sereia nua que afoga aqueles que ouvem o seu canto

Permita-me cantar-te – que não mais cantarei a ninguém
Me gostaria fazer engolir todo o ardor do mar
Um oceano que mora em mim – fazer de meu corpo a concha de teu lar
Abandona teu cais e vem pro meu porto – sou um ser morto a te esperar...

Queria desfazer-me na brancura de tuas janelas – verdes almas que calam minha boca
Volta, volta, vida mais bela! Faz deste amor o que era há pouco!
Faz volver à minha triste casa a figura de mim quando donzela
Refletida nos olhos de um peixe d’água – peixe meu de oito costelas...

Letícia Conde

*Será feita uma foto brevemente.

PETENATTI, Verônica. 31 mar 2007. Ser Cobra-cega.

SER COBRA-CEGA

Do escuro mundo saiu a cobra cega.
Chegou à superfície e não conseguiu voltar,
Aqui em cima tudo é duro, concreto.
Perdida se sentiu.

Sobre a calçada de pedras rastejava.
Um humano a viu...
O medo da víbora logo surgiu,
Com seu olhar repulsivo, pensou em matá-la.

A cobra não vê, mas seu algoz se aproxima,
Com uma pedra na mão e mira certeira.
Atingi a cabeça da cobra,
Ou será sua cauda?

A pedrada sentiu
De dor contorceu, virou,revirou.
Voltou ao escuro,
Em minutos morreu.

O homem foi embora.
O que será que ele pensa?
Sem nenhum veredicto, já lhe deu a sentença.
“Matei a serpente..., a justiça foi feita!”


Seu caminho seguiu, nem pena sentiu.
Para trás nem olhou,
A peçonha da boca escorreu...
Num dobrar de esquina, seu pensamento voou.

A cobra foi ele, que de repente atacou;
Cego de medo, nem raciocinou.
O ser ali presente era uma minhoca inocente,
Que um dia o homem de cobra-cega chamou.

Texto:
Professora Verônica Petenatti












SILVA, José Carlos Marcolino. Leitura em família. 05 maio 2007.

LEITURA EM FAMÍLIA

A leitura em casa chegou de modo diferente. Meu pai era agricultor. Sempre trabalhou com a terra. Muito religiosos, à noite, antes de dormir, rezava o terço, um trecho da Bíblia e a Catena (livro que continha orações de Nossa Senhora) a quem ele sempre foi devoto.
E, ali no quarto, estava eu, mexendo aqui e ali ouvindo sua reza, observando sua leitura às vezes atenta, às vezes em meu mundo imaginário de criança ainda muito pequena, que quer sempre estar na presença dos pais.
Minha mãe não lia para mim, mas me passava mensagens e ensinamentos com princípio que carrego até hoje. Ela também contava histórias vividas por ela e seus 10 irmãos, causos que ouviu de seus pais e avós sobre assombrações, espírito de um tio que morreu e que fazia contato com sua irmã, tia avó de minha mãe.
Infelizmente, a maioria de suas narrativas eram de sofrimento, frustrações, tristeza, mas nada que ela não tenha superado e transformado em lições para mim e meus 5 irmãos.
Em minha infância li alguns clássicos da Coleção Vagalume, como: Zezinho, o dono da porquinha preta, que me fez viver cenas junto com a personagem, pois assim como ele, também tinha contato com os animais, e aquele carinho ali, era verídico.
Com meu filho procurei desde muito pequeno este contato com o mundo dos livros, das imagens, sons, cheiros, explicando e dando a ale a oportunidade de enriquecer o seu pequeno mundinho.

Professora Verônica Petenatti
EE “Professor João Jorge Marmorato”
São Carlos, SP
Email: jcmarcolino@gmail.com




SILVA, José Carlos Marcolino. 01abri 2011. Parque Ecológico Dr. Sérgio Roberto Ugolini. Dobrada. SP.


DINOSSAURO DO SÉCULO XXI

O corte manual da cana
Transforma aos poucos o homem em máquina.
Não pode parar, não pode quebrar,
O suor é a lágrima do corpo!

Este corpo rijo, que a cada dia produz mais.
Estes braços fortes, mãos calejadas;
Câimbras constantes é sinal de fraqueza.
O corpo não é maquina, é vida!

Os direitos humanos reclamam.
Aos poucos a tecnologia avança
Surgem dinossauros em meio aos canaviais
São da espécie dos herbívoros

Devoram a cana com veloz voracidade
Faz, em poucas horas, o trabalho de centenas de homens.
Eles não adoecem, não fraquejam
Desta vez o dinossauro engoliu o homem.

texto
Professora Verônica Petenatti
EE “João Jorge Marmorato”
São Carlos, SP
Email: jcmarcolino@gmail.com

PALAVRAS

"Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos, eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar de debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que a palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém. Ao tirar de debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali só havia um grilo com uma flauta de couro. O grilo feridava o silêncio. Os moradores do lugar se queixavam do grilo. Veio uma palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar que retiraram de debaixo de mim? Não era para terem retirado a mim do lugar? Foram as palavras pois que desestruturam a linguagem. E não eu"

BARROS, Manoel de. Ensaios Fotográfricos. Rio de Janeiro: Recordo, 2007.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Leituras indicadas

Manoel de Barros diz "O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação trasvê. É preciso transver o mundo!"

O nosso convite é para que vocês trans-vejam a imagem fotografada por cada um e revelem o olhar poético para o desabrochar de poemas repletos de poesia!

A minha indicação de leitura é "Com olhos de ver: poesia e fotografia em Manoel de Barros", onde Antonio Francisco de Andrade Jr. identifica diferentes modos de relação entre poesia e visualidade.

Você pode acessá-lo em www.uff.br/cadernosdeletrasuff/30-31/artigo4.pdf

sábado, 7 de maio de 2011

GOMES, Flávia C. À Rebours. jan, 2009.

Palavras-chave: exposição, literatura, museu.





Foto da exposição de Machado de Assis, museu da Língua Portuguesa, piso 1 em janeiro de 2.009.




Haicai produzido a partir da foto "À rebours":


Liberta do olhar,
rio como gato de Alice:
virando lua-estrela


Flávia C. Gomes


Poema:

Queria ter a sensibilidade pra falar das borboletas
Borboletear minha vida, dizendo-a em vôo tênue, incerto.
Mas não a borboleteio, nem lagarteio.

Se sou uma das partes dessa corrente, sem dúvida é a que lhe parte,
trucida,
esbofeteia as duas faces,e roubalhes a unidade.
Não sou inteira, nem íntegra
parto eterno
me parto, reparto e nasço.
Me-ta-mor-fo-sei-o:
minto-me.


Flávia C. Gomes

GOMES, Flávia C. Livro dos Mortos. nov.2008.

Palavras-chave: cemitério, registro, livro.


Registro feito no final do século XIX e início do século XX com dados das pessoas que eram enterradas no cemitério da cidade de Jáu (SP).

Haicai produzido a partir da foto "Livro dos Mortos"

Caíram as folhas...

E foi tão profunda a ausência,

não mais floresci.


Flávia C. Gomes

................................................................


Poema a partir da foto "Livro dos Mortos"

Natimorta.


Piso cimento novo

de vias desconhecidas.

No ar engasgo:

gastos pedidos de novidades.


Mas tudo que me sobrevém

são correntes das correspondências,

na tentativa de deglutir o outro

e devolvê-lo com o que me é suposto.


Eu enterrei meus mortos,

os murmúrios permanecem...

Não apenas nas fotografias,

como nos trejeitos do que não sei.


E meu andar se refaz

(nefasto e composto)...

dos que viajam pelo meu sangue,

das propagandas em minha carne,

dos discursos que em mim ecoam,

e de tantas poeiras de ontem...


Antes os murmúrios, agora gritos

a transformar toda via desconhecida

em mero recomeço para os meus mesmos passos,

de mim ausentes.

E toda alegria, em esperança natimorta...

por saber-me esse gosto, já decomposto,

entre paredes do que não sonhei.



Flávia C. Gomes

VAUGHAN, Abel. Natureza grande, humano pequeno: sequência 1 e 2. abr, 2008.

1
2
Palavras-chave: natureza, chuva, paisagem.
Sequência de imagens na rodoivia SP-255 de Araraquara para Jaú. 

Poema produzido a partir das fotos "Natureza grande, humano pequeno: sequência 1 e 2."

A ventania

A ventania que fiz
leva as rosas,
balança a toalha
pendurada na janela.
Essa força natural
não há quem possa
impedir os beijos
que sopro para ela.
A ventania que fiz,
jeito bíblico orvalhado,
leva também meu recado:

― Amor, depois que nos beijamos
está faltando o casamento!


Abel Vaughan.

VAUGHAN, Abel. Jazigo. jun, 2008.

Palavras-chave: jazigo, cemitério, morte.
Aqui quis fazer alusão a idéia de passagem ao céu na visão cristã.


O cálculo metódico da vida.

T_ = {MORRER}
T+ = {VIVER}
T* = {BRINCAR}
T*+ = {ALEGRIA}
N = {VIDA}

(T*) + (T*+) = N
(T_) ≠ (T+)
(T_) + (T+) = N
[(T*)² = 2* (T*+)]

Abel Vaughan.

VAUGHAN, Abel. Vagão vazio. jan, 2009.



Palavras-chave: vagão, metrô, metrópole.
Essa imagem refere-se ao insociavél Metrô versus pessoas na cidade de São Paulo.