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sábado, 21 de maio de 2011

Cavalos d'Água

Solto meu corpo por sobre o teu
E deixo que tuas ondas sejam cavalos d’água
Molhados em meu amor forasteiro
De quem chega e se vai no tempo de uma morada

E cavalgo nos braços teus, quadris, mãos, a pêlo
Sem estribas por onde me apoiar
Para que ao final eu caia na tentação que é ser tua inteira
Nos campos alvos de tua estrada

Descanso em teus ombros, és unicórnio d’asas
Me leva para longe sem que me lembres de nada
Quero perder-me das fontes que me fizeram envelhecida
Porque minh’alma sangra o peso de uma vida

E pairando por sob teu céu de bálsamo pego-me ilhada
Na profunda sapiência das causas loucas
Corremos pelas brumas de nossas falas condensadas
Morrendo-me dentro de tua garganta arriando a voz que o peito afrouxa.

Letícia Conde

Já publicada pela CBJE:
http://www.camarabrasileira.com/apol74-094.htm

A., L.C.

- Poema feito com base na casa de Pablo Neruda para Matilde -

Quero voltar para a minha La Chascona
Onde posso viver em mar e afogar minh'alma nas águas que eu queira...
Três anos no ar, está na hora de sentir as ondas novamente...
Quero ouvir pulsar o pulso e quebrar-me em tuas rochas

Meu tesouro ínfimo de jóias usurpadas – cai em mim feito colar d’ouro
Enfeita minhas ancas com teus dedos de coral – resguarda meu barco
Afunda meu pranto de ser mortal – quero ser tua longe daqui
Como sereia nua que afoga aqueles que ouvem o seu canto

Permita-me cantar-te – que não mais cantarei a ninguém
Me gostaria fazer engolir todo o ardor do mar
Um oceano que mora em mim – fazer de meu corpo a concha de teu lar
Abandona teu cais e vem pro meu porto – sou um ser morto a te esperar...

Queria desfazer-me na brancura de tuas janelas – verdes almas que calam minha boca
Volta, volta, vida mais bela! Faz deste amor o que era há pouco!
Faz volver à minha triste casa a figura de mim quando donzela
Refletida nos olhos de um peixe d’água – peixe meu de oito costelas...

Letícia Conde

*Será feita uma foto brevemente.