sábado, 21 de maio de 2011

Cavalos d'Água

Solto meu corpo por sobre o teu
E deixo que tuas ondas sejam cavalos d’água
Molhados em meu amor forasteiro
De quem chega e se vai no tempo de uma morada

E cavalgo nos braços teus, quadris, mãos, a pêlo
Sem estribas por onde me apoiar
Para que ao final eu caia na tentação que é ser tua inteira
Nos campos alvos de tua estrada

Descanso em teus ombros, és unicórnio d’asas
Me leva para longe sem que me lembres de nada
Quero perder-me das fontes que me fizeram envelhecida
Porque minh’alma sangra o peso de uma vida

E pairando por sob teu céu de bálsamo pego-me ilhada
Na profunda sapiência das causas loucas
Corremos pelas brumas de nossas falas condensadas
Morrendo-me dentro de tua garganta arriando a voz que o peito afrouxa.

Letícia Conde

Já publicada pela CBJE:
http://www.camarabrasileira.com/apol74-094.htm

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