sábado, 21 de maio de 2011

Vulva

Só uma folha é o que vejo
Angular formato, solta, me toma os olhos
Quebrada em fragmentos ao que percebo
Porque minha percepção é sempre alterada

Toco-lhas coxas, estremecem em gracejo
Uma folha solta, ainda arde, presa ao meio
Assoprar leve bóia o ar
Arrepio de pele – arrepiam-se as águas do mar

Afundo o dedo – escondo-a para dentro de si
São pelos desejos que nos pelados pêlos encobrem
Um lago para morrer afogado – mato-a lá:
A sede de ti...

A folha que esconde teu corpo inteiro
Todo o ver por fluir
Feito folha leve ao vento
Que se vai pelo mar – que se tem que ir

Letícia Conde

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