Foto feita por: Letícia Conde
Tirada de: USP - Campus I/São Carlos
e ele gemeu alto como cão esfomeado
suas orelhas eram imensas
e delicadas feito cristais
como estalactites que são moldadas pelo tempo
ressoava o meu roçar de dedos em todas as direções
pedi desculpas àquele elemento
e disse que meu lamento era só de não poder falar-lhe
de minhas alucinações sonoras
como quando o ouvia dentro de meus tímpanos
através dos moinhos que ele fazia
através das folhas que ele cortava
naquele zumbido fino de constrangimento
de quem passa e devasta uma vida
ou traz bonança aos sem sustento
carregando chuva e água fria~
eu somente sentia o acariciar daquele rebento
e ele me disse que me ouvia
sem que eu precisasse tocar os seus ouvidos
porque eram por si só ventosos
passíveis de serem escutados a qualquer momento
aqueles meus devaneios intrínsecos
ainda me lembro da vez em que toquei o olvido do vento...
Letícia Conde
*Baseado em poema de Manoel de Barros
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