sábado, 7 de maio de 2011

GOMES, Flávia C. Livro dos Mortos. nov.2008.

Palavras-chave: cemitério, registro, livro.


Registro feito no final do século XIX e início do século XX com dados das pessoas que eram enterradas no cemitério da cidade de Jáu (SP).

Haicai produzido a partir da foto "Livro dos Mortos"

Caíram as folhas...

E foi tão profunda a ausência,

não mais floresci.


Flávia C. Gomes

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Poema a partir da foto "Livro dos Mortos"

Natimorta.


Piso cimento novo

de vias desconhecidas.

No ar engasgo:

gastos pedidos de novidades.


Mas tudo que me sobrevém

são correntes das correspondências,

na tentativa de deglutir o outro

e devolvê-lo com o que me é suposto.


Eu enterrei meus mortos,

os murmúrios permanecem...

Não apenas nas fotografias,

como nos trejeitos do que não sei.


E meu andar se refaz

(nefasto e composto)...

dos que viajam pelo meu sangue,

das propagandas em minha carne,

dos discursos que em mim ecoam,

e de tantas poeiras de ontem...


Antes os murmúrios, agora gritos

a transformar toda via desconhecida

em mero recomeço para os meus mesmos passos,

de mim ausentes.

E toda alegria, em esperança natimorta...

por saber-me esse gosto, já decomposto,

entre paredes do que não sonhei.



Flávia C. Gomes

Um comentário:

  1. Poema produzido a partir da foto 'Livros do Mortos'.

    Fecho a conta.

    Faço conta.
    As moedas não valem tanto?
    Já não tenho dúvidas...
    proponho um brinde.

    Volto, meço, sei:
    a medida da janela não é a extensão do horizonte
    derrubei as paredes, apenas com as colunas fiquei.

    Pois bem, fecho a conta
    E vou... vôo
    mas também tombo, perco o rumo... sumo.

    Abel Vaughan.

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